Uma cidade, outras cidades

Algumas coisas são feitas para turistas. Muitas vezes, esta afirmação carrega um sentido pejorativo. Algumas destas vezes, este sentido faz sentido. Isto, porém, não é uma regra. Quando visito um lugar, procuro conhecer tudo o que foi feito para turista. Tento, porém, buscar tempo para descobrir coisas feitas para o cidadão comum. Assim, tão prazeroso quanto conhecer a "Miss Liberty" é passar uma hora sentado numa praça repleta de estudantes fazendo malabarismos, cantando, dançando, protestando, fumando (maconha até?) num canto qualquer do Village.
Claro que todos vão querer saber da Estátua da Liberdade (a tal "miss"). Vão considerar uma blasfêmia não ter ido ao local. Poucos - ou ninguém - vão perguntar sobre uma praça repleta de estudantes no Village. Não estranharão a sua ausência. A famosa estátua estará no relato de dez entre dez turistas que forem a Nova York. A tal praça, ao contrário, será um relato quase único (triplo no meu caso).
Há, sim, uma cidade feita para turista. E isto é bom! Há, também, uma outra cidade, reservada aos olhares mais atentos e dispostos. É a mistura de ambas que enriquece uma viagem. Limitar-se à primeira fará de você mais um turista. Ir além o tornará um turista único. Afinal, longe dos pontos turísticos, cada um faz a sua própria cidade.

Em tempo: em Nova York, não deixe de ir a qualquer pequeno restaurante do Village. Se bobear, alguém dirá que os brasileiros estão voltando e que os americanos são "open mind", mas não a ponto de eleger um... deixa para lá. Quem sabe você não encontra por perto a tal praça repleta de estudantes?

Um comentário:

Cris disse...

Piscitas, não se esqueça dos olhos dos dois amigos que nos indicaram essa tal praça! hahaha