Arte é vida!

Viajar é o combustível da minha vida. Um deles. Entre todas as coisas boas que uma viagem proporciona, o que mais me atrai é o conhecimento. Talvez não seja à toa que eu procure sempre qualquer fonte de informação - jornais locais, plaquinhas de peças em museus, folhetos, conversas, etc. O conhecimento, porém, não está só nessas situações mais formais. Está nas ruas, nos bares, nos supermercados, nos metrôs.
Um fato que cada vez mais chama minha atenção em minhas andanças é a presença da arte (principalmente nas grandes cidades) na vida cotidiana, muito além das paredes de um museu. Você anda pelas ruas em Nova York e se depara com uma série de obras de arte. Nas capitais européis, idem. Em São Paulo, idem. Vale qualquer tipo de manifestação artística, desde as mais "glamourosas" e tradicionais, como uma escultura de Joan Miró num jardim, até as mais bizarras e alternativas, como um grafite num muro qualquer (aliás, a chamada "street art" tem revelado muitos talentos e tem me chamado a atenção particularmente).
Em Madrid, uma instituição cujo nome não me recordo revitalizou uma área próxima aos grandes museus da cidade (Prado e Reina Sofia), transformando-a numa imensa obra de arte. É na verdade uma composição de vários objetos artísticos, na qual nem as paredes escapam (foram revestidas de plantas, chapas de aço e cores). Ficou interessante (eu vi e atesto).


Na Alemanha, pedras foram colocadas na rua para reproduzir uma das obras do pintor de arte abstrata Wassily Kandinsky na Praça da Bavária (eu não vi pessoalmente, mas a foto indica que o resultado foi também interessante).

Mais do que obras de arte, ou manifestações de arte, estes exemplos revelam algo maior: a vida nas cidades. Uma cidade não é só formada de casas e ruas; é, antes e acima de tudo, formada de gente e suas manifestações. E é esse conjunto que confere vida a uma localidade. Portanto, viajar é muito mais do que conhecer um lugar; é conhecer uma determinada sociedade e seu modo de vida. E é por isso que eu adoro viajar!

Zurique, um paraíso

Alguns lugares nos reservam sensações especiais. Quis o destino que meu primeiro passo em solo europeu fosse dado em Zurique, na Suíça. Confesso que nutria muita expectativa em relação àquela viagem, muito mais por ser minha primeira experiência na Europa após anos sonhando com isso do que propriamente pela cidade. Pois me recordo como se fosse hoje de cada detalhe de Zurique, uma das cidades mais mágicas que já conheci.
A Suíça começou estranha para mim. Tão logo desci no aeroporto já fui preparando toda aquela papelada tradicional da alfândega. Passa uma porta, passa outra, passa um guichê, passa outro e nada. Quando vimos (havia mais dois amigos comigo) estávamos na rua. "Ninguém vai pedir meu passaporte?", falei. Entramos no táxi, um belo carro. Curiosamente, o motorista conhecia o Brasil. Perguntou sobre o país, falou do país e de Paulo Maluf. Disse que os suíços não tinham nada a ver com o fato do dinheiro brasileiro ser depositado lá. Eu ouvia e olhava pela janela. As ruas eram um tanto movimentadas e a cidade me pareceu um pouco fragmentada.
Foi na primeira caminhada, porém, que a cidade se revelou. Zurique é simplesmente maravilhosa. Caminhar pela Limmatquai, nas margens do Rio Limmat, observar aquelas construções que parecem medievais, as torres das igrejas, os relógios, tudo era muito mais do que eu sonhava. Havia, porém, um ingrediente essencial naquela paisagem: o clima. No sentido literal - um friozinho perfeito. E no sentido literário.
Zurique é uma babel (a ponto dos próprios suíços terem dificuldade de descrever a língua que falam). Zurique é o símbolo da educação (como em nenhum outro lugar os carros - todos - efetivamente param para os pedestres a ponto de um jovem descer uma ladeira de bicicleta e cruzar uma das principais vias sem se preocupar com o trânsito). Zurique é símbolo do ordenamento (a ponto de me hospedar em pleno centro e sequer ouvir barulho de carros ou buzinas ou ter uma grande obra embaixo de sua janela e não ouvir ruídos). Zurique é o símbolo da eficiência (a ponto do carro do lixeiro - e do próprio lixeiro - mais parecer uma ambulância tamanha a limpeza, sem contar os lixos todos organizados nas ruas, em saquinhos específicos para isso).
Zurique tem bondes, de onde se entra e sai sem que ninguém o perturbe porque obviamente todos compraram os tíquetes nas maquininhas espalhadas pelas ruas (a educação é levada a tamanho grau naquele lugar que um morador assim resumiu a lei: "o país confia no cidadão e, enquanto você não der motivo, seguirá confiando; quando você falhar, porém, pagará caro"). Zurique (seus arredores, na verdade) tem vacas leiteiras como eu nunca tinha visto na vida (e, sim, elas produzem o leite mais delicioso que já experimentei). Zurique ferve à noite como qualquer grande cidade européia (e põe ferveção nisso!). Zurique é cara como as mais caras capitais européias (e você paga em francos suíços, de lindas cédulas). Zurique mistura o antigo e o moderno sem que um agrida o outro.
Sim, Zurique vale a pena. Eu logo estarei lá novamente!

Em tempo: nós, brasileiros, acostumados à selva em que se transformaram nossas cidades, dificilmente nos acostumamos com a educação suíça. Assim, não foi difícil deixar a diretora de um museu que nos recepcionou falando sozinha porque, ao cruzar uma rua, ela seguiu caminhando despreocupadamente (afinal, os carros sempre param para os pedestres) enquanto nós, o trio brasileiro, ficamos na calçada parados como idiotas esperando o carro - também parado - passar.

PS: e fui embora sem ganhar um carimbo suíço em meu passaporte...

Olha o passarinho!

Se por um lado as máquinas digitais surgiram para agilizar a vida dos turistas, que podem conferir de imediato se suas fotos ficaram boas ou não, escolher as que serão reveladas, melhorar a qualidade das imagens, etc, por outro representam uma nova dificuldade paras aquelas pessoas pouco habituadas à tecnologia. O resultado, nestes casos, pode ser desastroso. Ou engraçado. É o que se vê no vídeo (que minha mãe e suas amigas não vejam...).