Uma viagem pelas paisagens de Waite

Nem sempre é possível viajar no sentido literal. Nesses casos, um lugar pode ser conhecido por meio de um relato, de um livro ou de uma foto. Cada uma dessas formas de "viagem" contêm suas peculiaridades e seus charmes. Quem nunca se encantou por um lugar ao folhear as páginas de um livro? Quem nunca se viu no Rio de Janeiro do século 19 ao ler Machado de Assis?
No caso das fotos, o componente imaginário perde-se um pouco ante o realismo da imagem. Ainda assim, é possível manter a poesia e o encanto. É mais ou menos isso que faz o fotógrafo inglês Charlie Waite. Nascido em 1949, ele consagrou-se pelas imagens de paisagens, em que mistura luz e sombra, fruto de sua experiência com iluminação teatral e design.
Waite já expôs em Londres, Tóquio, Nova York, Sydney, Melbourne e Brisbane. É autor de 27 livros sobre o Reino Unido, França, Itália, Espanha e Alemanha, todos exclusivamente de fotografia. Ele também especializou-se em ensinar e estimular novos fotógrafos por meio de uma série de projetos.
Para quem deseja mais informações, acesse o site oficial dele clicando aqui. Lá é possível ver uma série de fotos, todas belas. Alguns exemplares ilustram esta postagem.

A Torre de Londres

O que Barack Obama, a série "Os Tudors" e este blog têm em comum? Tudo. Vendo uma reportagem sobre a posse do novo presidente dos EUA, uma pessoa entrevistada assim resumiu o que se passava naquele momento: "history, history, history". O que essa pessoa queria dizer é que a história estava sendo escrita ali, naquela hora. E que ela era participante e testemunha.
Em alguns casos, como na posse de Obama, é possível presenciar a história. Futuramente, as pessoas vão olhar para trás e dizer: "eu estive lá", "eu vi". Elas terão a plena sensação de terem feito parte da história, ainda que como coadjuvantes. Em outras ocasiões, porém, não é mais possível presenciar a história, mas esta sábia senhora deixa suas marcas. E conhecer estas marcas proporciona uma sensação muito parecida com a vivenciada pela pessoa que se sentiu fazendo história na posse do presidente norte-americano.
Para mim, viajar é essencialmente conhecer a história. Lazer e prazer vêm como consequências. Estar num lugar onde a história aconteceu é fascinante. Já vi pessoas reagirem com indiferença a isso. Já vi quem dissesse não ver a menor graça ao se deparar com um prédio histórico. Eu vejo toda a graça. Seria capaz de passar horas observando cada detalhe, pondo-me a pensar em como tudo aquilo era. É uma viagem. Uma outra viagem.
Foi justamente esta sensação que me moveu quando conheci a Torre de Londres. Antigo palácio e prisão, ela hoje virou uma espécie de museu, além de guardar as preciosidades da coroa britânica. Como atração puramente turística, ela deixa a desejar. Chega a ser inocente - parece uma Disneylândia. Você anda por aquele lugar e se depara com atores vestidos de personagens; nas salas, montagens infantis e aparelhos que servem muito mais para diversão do que para qualquer outra coisa. Pode-se, por exemplo, simular que se atira uma flecha (e estimar a força necessária para isso).
Ainda assim, a Torre de Londres é a Torre de Londres. É lá onde tantos personagens da história viveram momentos decisivos. Ela foi a última visão da Terra para muitas pessoas, menciona com certo ar de ironia o site oficial da atração (http://www.toweroflondontour.com/). Foi na torre que a rainha Ana Bolena ficou presa por 18 dias e foi decapitada por ordem do então rei Henrique VIII. Era para lá que ele mandava seus inimigos - como Thomas More (seu antigo aliado), preso em 1534 e executado em julho de 1535. Também foi para lá que a rainha Maria I, filha de Henrique VIII com Catarina de Aragão, enviou presa em 1554 a sua meia-irmã princesa Elizabeth (depois rainha Elizabeth I), filha do rei com Ana Bolena, sob acusação de conspiração. Todos estes são personagens da série e da era Tudor. Outro personagem da época que foi preso na torre (1555) e condenado à morte é o arcebispo Cranmer, celebrante do polêmico casamento de Henrique VIII com Ana Bolena.
As paredes da torre hoje são prova de tantos prisioneiros que para lá foram enviados quando o monarca implantou sua reforma. É possível ver nas antigas celas inscrições que revelam a dor e o sofrimento de muitos que estiveram por ali injustamente. Eles deixaram nas paredes poemas, mensagens, datas. Demonstraram sua fé marcando símbolos católicos. Tudo isso está lá, para ser visto e, em alguns casos, tocado (nas inscrições mais famosas, uma proteção de acrílico impede que se toque).
No local onde Ana Bolena e tantos outros (incluindo as rainhas Catarina Howard, também esposa de Henrique VIII e decapitada sob acusação de infidelidade em 13 de fevereiro de 1542, e Lady Jane Grey) literalmente perderam a cabeça, hoje resta um monumento. De sala em sala, a Torre de Londres - fundada há quase mil anos - vai se revelando. Na Londres moderna, ela pode parecer ingênua. Para quem conhece sua história, porém, ela possui um valor imensurável. sem contar que está na beira do Rio Tâmisa.

PS: quem quiser saber mais sobre a torre e o reinado de Henrique VIII acesse o campo de mensagem desta postagem.

Mais museus, por Cristiano Persona

Seguindo nas consultas a colegas sobre suas impressões a respeito de museus pelo mundo, quem dá as dicas agora é o publicitário Cristiano Persona. Ele diz que as dicas são "honestas e dadas por alguém que não entende muito nem de turismo nem de arte. São apenas impressões". E alerta: "O importante para todos os museus é entrar no clima e buscar o que de mais legal cada um oferece. É certeza de diversão".

* Museu do Louvre (Paris) - Indispensável. Só a fachada e o clima que o envolve já valeriam a pena. Mas ele é muito mais. Traz coleções de quadros, esculturas, cerâmica, Egito, Babilônia, etc, que acredito que não encontramos em nenhum outro lugar do mundo. Minha dica é chegar cedo e ir direto para Monalisa, Vénus de Milo e Vitória de Samotrácia. Imperdíveis! Se puder, visite em dois ou três dias.

* British Museum (Londres) - Estive por lá na mesma viagem em que estive em outros 14 museus! Foram 18 dias de pura cultura na Europa. O British ficou "ensanduichado" entre o Metropolitan (Nova York), visto cerca de cinco meses antes, e o Louvre (Paris), visto cerca de uma semana depois. Os três trazem o mesmo conceito, porém, com estilos diferentes. Apesar de ser impossível de não admitir que, dos três, o British é o menos imponente, não perderia uma visita a ele por nada. Vale muito a pena, pois acho que dos três ele é o que traz o melhor panorama mundial. Você se sente circulando entre todas as regiões do mundo, inclusive América do Sul. Além disso, quem não gostaria de ver a Pedra de Roseta, os frisos do Partenon de Atenas ou os mármores de Elgin? Reserve tempo para ele, é preciso!

- Museu do Prado (Madri) - Fui com aquela "frase" que costumamos ouvir a respeito desse museu: "é cansativo". Posso ser sincero? Não é! Claro que a coleção de quadros chega a cansar. Depois de um tempo é impossível não ter aquela sensação de "mais um quadro de realeza?!" ou ainda "mais um quadro de religião?!". Mas o cansaço acaba diante de uma das mais impressionantes obras que já vi: “As meninas” (nome original: "La Família de Felipe IV"), do pintor espanhol Diego Velasquez. A tela é imensa e tem uma luminosidade que é impossível de descrever. Não vou mais falar dele, visite.

- Rijksmuseum (Amsterdã) - Não me sinto à vontade para escrever. Estive lá com ele em reforma e pude ver apenas algumas poucas alas abertas. Sei que é fantástico, pois traz a "Ronda Noturna", de Rembrandt, que tem uma história muito legal! Além de lindo, o quadro já foi "atacado" duas vezes!

- MoMA (Nova York) - Antes de visitar o MoMA, meu contato com museus era muito pequeno. Ele inaugurou um capítulo à parte na minha vida de "amante de arte". Gosto particularmente dos museus que trazem obras da metade do século 19 para cá. Esse museu é um passeio. Pelo belo, pelo provocador, pelo novo. Impossível não querer tirar uma foto em frente de um Monet ou fazer uma cara de "paisagem" em frente a um pós-modernista. O museu é democrático. O mundo circula por lá. Cada sala reserva uma surpresa. O prédio é surpreendente. Esse museu não é cansativo. É uma espécie de “museu shopping center”! FANTÁSTICO!

- Tate Modern (Londres) - Está na mesma categoria do MoMA, porém, sua coleção é menos impressionante. Não que seja desinteressante, a Tate é linda! O que a diferenciou para mim foi a presença de artistas brasileiros. Uma sala com uma montagem interessante sobre carnaval estava por lá. No saguão, alguns "brinquedos" interativos valem a pena. A arquitetura é uma obra à parte e a ponte construída para ligá-la ao outro lado do Tâmisa é maravilhosa. Depois de alguns dias vendo prédios, museus, monumentos e igrejas antigas, a Tate é um refresco em Londres!

- Museu de Van Gogh (Amsterdã) - Este é coisa de louco! É muito Van Gogh! E Van Gogh é muito lindo! Não existe pintor no mundo, na minha opinião, que consiga o efeito que ele conseguiu em suas telas. Tive uma passagem interessante nesse museu. Dias antes estive em Londres visitando a National Gallery, que traz a “obra da minha vida” até agora - “Os girassóis”, de Van Gogh. Quando cheguei ao museu dele em Amsterdã não esperava encontrar “Os Girassóis” por lá. E não é que ele estava! Na verdade, Van Gogh pintou alguns "Girassóis" para decorar o quarto de Degas no período em que moraram juntos. Quando Degas foi embora, pediu os quadros. Van Gogh os entregou, mas repintou outros, pois havia gostado muito do trabalho. Dessa forma, há alguns "Girassóis" espalhados pelo mundo! Sorte a nossa. Esse museu é um dos Top 5.

- Museu D´Orsay (Paris) – Dá até um pouco de medo de dizer o que vou dizer agora, mas o D´Orsay é mais legal que o Louvre. Esse museu, além de lindo em sua arquitetura, traz uma coleção de quadros dos mais conhecidos do mundo. Todos do final do século 19 ou início do 20. Chegue com tempo e suba direto para o último andar. Aprecie tudo com calma, desça devagar. Deguste as obras. Tome um expresso antes de sair. E tenha a maior vontade de “quero mais” de todos os museus da Europa!

- National Gallery (Londres) – Ir para Londres e não visitar a National Gallery é ir para Roma e não ver o papa. Primeiro porque ela está na Trafalgar Square, uma das praças mais conhecidas e legais da Europa. Segundo porque ela abriga uma coleção de quadros de cair o queixo, fruto de uma monarquia rica e antiga. E terceiro porque é nesse museu que está “Os Girassóis”, de Van Gogh. Pelo menos um deles! O quadro faz você chorar. A cor salta da tela, invade a sala, faz você se sentir como uma formiga diante da beleza da obra. Até o momento, a “coisa” mais linda que eu já vi!

Museus de NY, por Kelly Camargo

Decidi pedir a algumas pessoas impressões sobre alguns museus - que eu determinei. Uma delas, a jornalista Kelly Camargo, disse que se empolgou com a proposta e foi além. "É que curti muito essa viagem", justificou. Não há problema. Aqui vai o relato dela - e a Kelly caprichou!

"Um dia recebi um e-mail me pedindo para elencar cinco lugares onde eu gostaria de estar novamente. Acho que eu elencaria Nova York nas cinco vezes. Para mim, dificilmente haverá outra cidade no mundo que seja mais cinematográfica do que Nova York. Ela abriga a casa de muitos dos meus ´heróis dos quadrinhos´ e é cenário da maioria dos filmes de ação e romance pelos quais sou apaixonada.

Assim, faço um paralelo com alguns destes fatos e alguns dos museus mais legais que existem por lá. O Museu de História Natural, cenário do filme ´Uma Noite no Museu´, é o mais badalado. Difícil passar pelas suas 40 salas – ainda mais na companhia do Ryan, que sempre sabia um detalhe pitoresco para me contar – sem se deliciar com tudo o que até então a gente só vê nos filmes.
Alguém lembra que foi no Museu de Arte Moderna que Will Smith perseguiu um alienígena na abertura de ´Homens de Preto´?. No Planetário de Nova York, Mary Jane quase matou o Homem-Aranha de ciúmes ao anunciar seu casamento com um astronauta, em ´Homem-Aranha 2´.


O Metropolitan Museum possui a melhor coleção de arte egípcia e uma das melhores coleções de arte islâmica do mundo, além de milhares de peças em cristal e prata, armaduras e trabalhos que me encantaram.
Acho que me decepcionei com a ´singela´ homenagem feita ao pai da aviação e patrono da Aeronáutica, Alberto Santos-Dumont, no Smithsonian Air & Space Museum, de Washington. Muito pouco para o maior museu da indústria da aviação mundial."


Em tempo: para ler mais sobre essa viagem para Nova York, acesse http://rodrigopiscitelli.blogspot.com/2008/02/sentir-o-parque-uma-outra-cidade.html

Recado

Prezados leitores deste singelo blog: atualizei meus álbuns no Flickr. Não deixem de ver, vale a pena. Para acessar, clique aqui.