Um jogo inesquecível

Viajar é muito mais do que conhecer lugares e pessoas. É vivenciar experiências. Sempre que viajo, esta parte tem destaque nos meus roteiros. É isso que revela a vida de uma determinada sociedade, ou ao menos uma pequena parte dessa vida.
Uma das experiências mais incríveis que tive nas últimas viagens que fiz foi assistir a um jogo de futebol num bar. Isto mesmo, simples assim. Estava em Madrid mais ou menos nesta mesma época do ano, quando ocorrem as quartas-de-final da Copa dos Campeões, o mais importante torneio de clubes de futebol da Europa. Trata-se de um evento que movimenta milhões de euros e de corações apaixonados – se você por acaso acha que os brasileiros são fanáticos, ainda não conheceu um típico torcedor europeu.
Esta experiência me veio à mente ontem à noite quando vi pela TV as chamadas para os jogos que seriam transmitidos hoje – Manchester United x Porto e Villareal x Arsenal. Não que eu a tivesse esquecido, foi apenas um “revival” mais intenso.
Era noite do dia 8 de abril em Madrid e um amigo que morou lá um ano e meio lembrou que ocorreriam dois jogos importantes. Como um “local”, ele conhecia os becos e segredos da cidade. Foi assim que fomos parar num bar aparentemente comum, de fachada restrita. Dentro, porém, era grande, aconchegante e um tanto escuro. Um típico bar europeu. Chegamos cedo a ponto de pegar a “hora feliz” (é assim que os espanhóis se referem ao “happy hour”) – ou seja, meia dúzia de cerveja a 12 euros.
Aos poucos, o bar foi enchendo de gente, de todos os cantos, muitos ingleses. Os jogos envolveriam três times da Inglaterra – Chelsea, Liverpool e Arsenal. Na hora da partida, o que era uma mera diversão transformou-se em êxtase. Nunca havia vivenciado nada parecido. Dois telões transmitiam o jogo preferido da noite, entre Liverpool e Arsenal, e uma TV mostrava Chelsea x Fenerbahce. O som da música deu lugar ao da transmissão, em ritmo radiofônico (portanto, emocionante) e em altos decibéis. Ao redor, torcedores fanáticos de um e outro time manifestavam-se com veemência.
Ante todo esse clima, obviamente que o jogo só podia ser fantástico. O Arsenal fez 1 a 0 com Diaby logo aos 12 minutos do primeiro tempo. Hyypiä empatou para o Liverpool aos 30. No segundo tempo, o espanhol Fernando Torres (El Niño, como os espanhóis o chamam) colocou o Liverpool na frente com um gol aos 24 minutos. Quando tudo caminhava para a vitória, eis que Adebayor empatou para o Arsenal aos 38. Foi quando, já no clima do jogo, gritei e pulei como louco – e sequer sabia porque estava torcendo pelo Arsenal (apenas escolhi um dos dois concorrentes para participar de alguma forma daquele momento). Eu parecia um típico torcedor inglês tamanha a emoção.
Dois minutos depois, porém, o Liverpool desempatou com Gerrard cobrando pênalti. Babel ainda teve tempo de fazer mais um aos 47 minutos. Foi um 4 x 2 poucas vezes visto. Foi emocionante. Foi “a noite da viagem”.
E como se não bastassem a cerveja e o jogo emocionante, ainda tivemos a oportunidade de conversar com americanos, australianos, ingleses... tudo num mesmo lugar.
Por isso, quando viajar, mais do que passear simplesmente, experimente! São estas as histórias que você poderá contar e que ficarão guardadas na memória.

Em tempo: devemos a “noite da viagem” ao amigo Danilo. Sem ele, jamais chegaríamos àquele bar em Madrid. Jamais teríamos vivido tal emoção.

Um comentário:

pinatti disse...

Piscitas, com certeza deve ter sido muito legal. No meu caso, quero conhecer Londres, e assistir a um jogo do campeonato inglês, de preferência um clássico, e ainda por cima, sentado na primeira fileira lá embaixo, vendo o jogador cobrar lateral. Deve ser muito apaixonante e charmoso.