A praça mais bonita do mundo

A Grand Place, em Bruxelas, é uma exuberância. Não existe palavra mais adequada para descrever o principal ponto comercial e turístico da capital belga ao longo dos tempos. Existente provavelmente desde o século 11 (talvez antes), a grande praça foi parcialmente destruída num ataque francês em 1695. Acabou reconstruída e se tornou um belo exemplo da arquitetura flamenga de várias épocas – há construções nos estilos clássico, barroco, gótico e neogótico.
Para quem a conhece, a praça ofusca a vista. Chega a ser um abuso tanta riqueza arquitetônica em tão pouco espaço (bem, nem tão pouco assim). Para onde você olha, enxerga beleza e história. Literalmente. Tida por muitos como a praça mais bonita do mundo, não é à toa que ela foi considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco (o organismo das Nações Unidas para Cultura e Educação) em 1998.
Nesse lugar, girar 360 graus é quase um instinto. O corpo inevitavelmente segue a vista, atraída pela beleza dos prédios um colado ao outro, com suas fachadas rebuscadas, algumas delas exibindo um portentoso dourado. Ali, não fossem alguns letreiros, como o da loja de chocolates Godiva (imperdível!), teria-se a certeza de que o tempo parou. O chão de pedras acentua essa saborosa sensação de antiguidade.



Na Grand Place, as aulas de história sobre a Idade Média se tornam reais. É dessa época, por exemplo, a prefeitura (Hôtel de Ville, em francês), um prédio do século 15 - a obra começou em 1402 - que resistiu ao ataque francês. Também estão lá, intocadas, as sedes de algumas guildas. Faltou dessa aula? Eram as corporações profissionais (o precursor dos sindicatos) durante a Idade Média, geralmente de artesãos.
Foi numa delas, transformada em restaurante, o Le Roy D´Espagne, que provei algumas das famosas cervejas belgas. A Jupiler foi a preferida. A casa (na foto abaixo, a maior, com um ornamento no centro da fachada e uma estátua sobre o telhado) foi construída em 1697 como sede da guilda dos padeiros. O nome atual se deve ao busto do rei espanhol Carlos 2° (1661-1700), que decora o lugar - a Espanha dominava a região da atual Bélgica quando o prédio foi construído. Como lembrança do ofício que a guilda representava, há uma estátua do santo padroeiro dos padeiros.
Confesso que só soube da história do lugar – danificado durante a Revolução Francesa – quando estava lá. Um cartaz (ou algo do gênero) contava a trajetória daquele prédio histórico, do século 17. Por sinal, cartazes antigos são parte da decoração do restaurante.


Em que pese estar no Le Roy seja uma experiência extraordinária e única, a Grand Place basta por si só. Para esta praça, qualquer superlativo não será suficiente. Não será exagerado. Afinal, você poderá passar horas simplesmente observando cada detalhe de cada um dos prédios e ainda assim haverá sempre algo a descobrir. Aliás, isto é o melhor a se fazer lá: simplesmente parar e contemplar (tamanha beleza exige mais que observação, pede contemplação). Você fará segundos e minutos parecerem horas. E ainda que fique horas só na simples tarefa de olhar, não se preocupe: na Grand Place, o tempo para.


PS: não deixe de ver o vídeo institucional disponível no site do Le Roy D´Espagne (o link está nesta postagem).

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