Palácios e castelos - parte 1

Para quem gosta de história, ir à Europa é como um encontro – às vezes um reencontro. Foi movido por este espírito que pisei no Velho Continente pela primeira vez em 2005. Chegava para um compromisso marcado com o passado. Contava os minutos para encontrar um castelo ou palácio. E eles surgiram em Munique. A capital da Baviera (ou Bavária) soube unir como poucas o antigo e o novo. Integrou de forma harmoniosa passado e futuro, conservação e desenvolvimento. É assim que o Residenz, um palácio cujas raízes remontam ao século 14, sobreviveu encravado em pleno centro da cidade.
O Residenz da atualidade é resultado de uma série de acréscimos feitos ao longo dos séculos por duques, príncipes eleitores e reis da Baviera (esta é a minha forma preferida). Sua origem está no Neuveste, castelo erguido em 1385 no que era então o canto nordeste de Munique. Uma história que vai do duque Stephan 3º (1375-92) ao rei Ludwig 3º (1913-18).

O palácio é imponente e belo visto tanto da Odeonsplatz, na fachada que fica para a rua que leva seu nome, a Residenzstrasse, como de seus jardins, o Hofgarten, na fachada lateral. Para a rua, fica a chamada Residência de Maximiliano; para o jardim, a Ala do Salão de Festas. Nos jardins, pela primeira vez eu vi a famosa simetria verde, pontuada por pequenas flores coloridas. Um jardim em perfeita ordem, com uma espécie de coreto ao centro.
Dentro, tesouros dos nobres da Baviera se juntam a pinturas em quadros e paredes, além dos móveis, todos esnobando brilho, riqueza e poder. Um brilho dourado escondido por grossas - e opacas do lado de fora – paredes. Olhando do exterior, aliás, aquele prédio e sua imponência até poderiam passar como sede de um organismo burocrático qualquer.



Na mesma cidade, eu descobri um outro palácio, mais próximo daqueles que frequentavam meus sonhos. Seu nome: Nymphenburg. Seu caminho é marcado por um longo canal, seco naqueles dias (provavelmente para manutenção, segundo contou nossa guia informal Jussara, a limeirense que mora há anos em Munique).
Cheguei a Nymphenburg no final de uma tarde fria e ensolarada. O sol já descia no horizonte, o que acentuou a magia daquela imagem. Após uma longa e tranquila caminhada, o palácio foi ficando cada vez maior. A sua grandiosidade tornou-se evidente na minha tentativa frustrada de tirar uma foto. E nas 209 fileiras de janelas (isto mesmo, fileiras!) só na estrutura principal. Cem à direita da ala central e outras cem à esquerda, simetricamente dispostas.
Nymphenburg exibe o formato típico de grande parte dos palácios, como o Louvre e Versalhes: uma ala central, duas laterais, fora prédios anexos. Uma capela/igreja integrada à estrutura completa o complexo.



Àquela hora, no cair da tarde, seu conjunto de janelas acentuava o brilho da brancura acinzentada de sua fachada. No jardim frontal, uma enorme fonte enfeita o caminho que leva à grande escadaria de duplo acesso. No “quintal”, estátuas me fizeram parar e refletir. Uma reflexão silenciosa e contemplativa, estimulada por aquela paisagem incrivelmente bucólica numa das cidades mais desenvolvidas do mundo.
Com a mesma sensação, subi a escadaria da direta (tendo como referência quem olha o palácio de frente). Observei cada detalhe, a luminária dourada, a transparência quase ofuscante das portas e janelas principais refletindo sonhos tal qual um espelho. Não entrei (fato do qual me arrependo). Permanecer ali, do lado de fora, deu ao Nymphenburg uma frieza que ele certamente não possui. Afinal, foi erguido para celebrar a vida - no século 17, como residência de verão, após o nascimento de Maximiliano 2º Emanuel, filho do príncipe eleitor da Baviera, Fernando Maria e sua esposa Henriqueta Adelaide de Saboia. Uma celebração real.



* Nas fotos, estou acompanhado dos amigos José Eduardo e Maria Helena Heflinger. A imagem aérea foi retirada do Wikipedia.

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