Os murais da Filadélfia

Filadélfia é a cidade das artes. Inspirada por sua história revolucionária (foi lá que se deu o processo de independência dos Estados Unidos) e pela sua condição de Cidade do Amor Fraterno (“City of Brotherly Love”), a principal localidade do Estado da Pensilvânia transpira arte por suas ruas e prédios. Não é à toa que por ali a “street art”, a arte de rua, ganhou espaço e virou até um roteiro turístico – o “Mural Arts Tour”.
Como descreve o site oficial de turismo de Filadélfia, o projeto dos murais engloba as comunidades, organizações populares, órgãos municipais, escolas e entidades. A ideia é “usar o poder da arte e do processo de desenhar nos muros como ferramenta para promover a participação da comunidade, o embelezamento da cidade, demonstração de civismo, prevenção e reabilitação do crime. É a razão pela qual Filadélfia é chamada de ‘Cidade dos Murais’”.
O projeto começou há 25 anos e se tornou um dos maiores do gênero no mundo. Uma pequena ideia que virou uma grande ação. Um quarto de século depois, os visitantes podem experimentar (sim, este é o verbo mais adequado para a arte de rua) mais de três mil murais. Eles estão por toda parte, nas paredes dos prédios e até debaixo das pontes. Misturam vários estilos de grafite. Há desenhos bem detalhados, próximos do que se pode chamar de realismo. Geralmente mostrando aspectos da vida local, apostam na profundidade (herança do renascimento) e na riqueza das cenas e personagens. Há outros mais rudimentares, como o que exibe traços orientais em Chinatown. Em comum, todos mostram um colorido que chama a atenção.
Naturalmente, é quase impossível conhecer um a um. E isto realmente é frustrante! No entanto, a existência de tantas manifestações, espalhadas pela cidade, é a quase certeza de que em algum momento o visitante vai se deparar com uma delas. E isto é fascinante!
Para facilitar a vida dos turistas, o programa “Mural Arts Tour” inclui um minirroteiro, o “Mural Mile”. São 17 pontos de visitação - entre os mais icônicos da cidade - pelo centro de Filadélfia. Tentei seguir o percurso, mas abandonei-o no meio – algo de que me arrependo (meu tempo era um tanto escasso). O trajeto passa pelo bairro chinês, à oeste da área histórica (sentido rio Delaware-prefeitura), e parece mais difícil de seguir do que sugere o mapa disponível no site do programa.
Ainda assim, apesar de ter visto apenas alguns poucos murais (certamente não os mais expressivos), pude sentir a força desse tipo de arte, uma arte que vem das ruas, é feita nas ruas, para as ruas. É, como cita o texto do site do projeto, “um símbolo do poder transformador da arte”. Uma iniciativa que ajuda a contar a história de uma cidade vibrante, a segunda maior da costa leste (perde apenas para Nova York), uma mistura de cidade pequena, cidade grande (à la Kerouac) num único lugar.
Uma arte cuja expressão revela-se em meio ao vai-vem de gente, vendedores, turistas, moradores... As já famosas ruas de Filadélfia são mesmo assim: repletas de vida, repletas de história, repletas de arte. Por isso, estando lá, deixe a preguiça de lado e simplesmente vire a esquina e siga em frente. Caminhe despreocupadamente. Logo um dos murais vai surgir à sua frente. Aí, pare, olhe, aprecie (sem moderação!).








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