A cidade dos amores e amantes

Norte-americano de Indiana, Cole Albert Porter acertou quando disse ao mundo que amava Paris. Em todas as estações. “I love Paris in the spring time, I love Paris in the fall, I love Paris in the summer when it sizzles, I love Paris in the winter when it drizzles.” Em todas as ocasiões. “I love Paris every moment, every moment of the year”.
Cole Porter acertou quando disse ao mundo que Paris ama os amantes. “Paris loves lovers, for lovers it's heaven above; Paris tells lovers, love is supreme, wake up your dream and make love; only in Paris one discovers the urge to merge with the splurge of the spring; Paris loves lovers for lovers know that love is everything”. Sim, o amor é tudo, sábio Porter. E se o amor é tudo, Paris é tudo!
Cenário de filmes, enredo de clássicos da literatura, abrigo de pensadores, poetas, pintores e gênios, Paris é mesmo a cidade dos amantes e dos amores. Amores passados, amores perdidos, amores platônicos. “I love Paris, why oh why do I love Paris, because my love is here.” Como Porter, de alguma forma e em algum sentido seu amor está em Paris. Amor pelas artes, pela cidade, pela língua, por alguém, por ninguém. “Every time I look down on this timeless town, whether blue or gray be her skies. Whether loud be her cheers or soft be her tears, more and more do I realize: I love Paris”.
E como ele, outros milhões. Não sem razão: Paris brilha – e democraticamente (Igualdade, Liberdade e Fraternidade, pois) espalha seu brilho entre todos e para todos. Gaze on the glistening lights below and above; Oh, what a night of nights for people in love. No city but this my friend, no city I know gives romance such a chance to grow and grow.”
Nenhuma cidade mesmo! Terra de invasões, derrotas e glórias. Terra do passado, do presente e do futuro. Terra de quem chega, usa, abusa e vai; terra de quem chega, flana, encanta e fica. Terra de revolucionários e do Maio de 68, da direita extremista e de Le Pen. Terra de reis, rainhas, imperadores e presidentes. De gente. De Napoleão, De Gaulle, Mitterrand e Sarkozy. De François e Jean-Marie. Only in Paris one discovers the urge to merge with the splurge of the spring (Militaristic, you're optimistic, du jour propaganda). Paris loves lovers for lovers know that love is everything (Unrealistic, is individualistic and not at all collectivistic but a low Totalitarianistic thing).”
Sim, o amor é tudo, sábio Porter. Sendo assim, é impossível não amar Paris. Talvez nenhum outro lugar seja tão apaixonadamente apaixonante como a Cidade-Luz. Talvez nenhum outro lugar combine tão bem com os apaixonados. Ainda que você esteja sozinho, Paris é inescapável aos corações, inesgotável em paixões, transborda oportunidades e sensualidade. Das vedetes do Moulin Rouge e outros cabarés à doce, fascinante, bela, misteriosa e poderosa primeira-dama, modemoiselle Carla Bruni. Paris loves lovers, for lovers it's heaven above (Capitalistic, characteristic, sensualistic, they should be atheistic). Paris tells lovers, love is supreme, wake up your dream and make love (Imperialistic, I'm pessimistic, that's anti communistic).”
“Make love!” Nada é mais revolucionário, mais contracultura, mais estudantil, mais passado e futuro do que “make love” – “faça amor”. Espalhe amor. E se esta é a ordem, melhor lugar para cumpri-la não há do que Paris (por mais que a cidade venha se transformando ao longo dos últimos anos na meca dos turistas de ocasião). A sempre admirada Paris, a cidade que Cole Porter amava. A cidade que ama os amantes.

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