Museus diferentes (3)

I saw the morning
It was shattered by a gun
Heard a scream, saw him fall, no one cried
I saw a mother
She was praying for her son
Bring him back, let him live, don't let him die

(…) 

I saw the evening
Fading shadows one by one
We watch the lamb, lay down to the sacrifice
I saw the children
The children of the sun
How they wept, how they bled, how they died

Do you ever ask yourself
Is there a Heaven in the sky
Why can't we stop the fight

'cause we all live under the same sun
We all walk under the same moon
Then why, why can't we live as one
(“Under the same sun”, de Mark Hudson)

Dando sequência às postagens sobre museus diferentes, outro que merece uma visita é o da guerra, em Ottawa, no Canadá. Ele fica um pouco isolado da parte central da cidade, mas é facilmente acessível pelo sistema de ônibus. A mostra é incrível: mistura maquetes, placas informativas e cenários a artefatos usados em combate - que vão de gigantes tanques de guerra e aviões a armas de todo tipo. Naturalmente, há um destaque maior para as forças armadas canadenses e seu maquinário, mas nem por isso uma parte significativa da história da humanidade deixa de ser contada no local.
Para quem gosta de artilharia, é um prato cheio. Para quem aprecia história, é uma visita necessária. Para quem simplesmente quer conhecer um museu diferente, reserve ao menos duas horas do seu dia na capital canadense para o War Museum. Seja qual for sua intenção, porém, é inevitável não refletir sobre a guerra como manifestação máxima do fracasso humano. Há histórias comoventes que ajudam a reforçar esta ideia, como a das vítimas da guerra no leste europeu na reta final do século 20, notadamente na região da antiga Iugoslávia, como a Bósnia.
Entre os veículos e armas de guerra, alguns merecem maior destaque (em tempo: todos têm etiquetas contando suas histórias). É o caso do carro da ONU (“UN” na sigla em inglês, a Organização das Nações Unidas) atingido por tiros durante operação de paz no Afeganistão e o histórico e macabro conversível preto que levou Adolf Hitler em seus tradicionais desfiles – o carro ganhou o apelido de “Símbolo do Mal”.
Sobre o episódio no Afeganistão, um grupo de soldados e um jornalista estavam no Mercedes-Benz G-Wagons em patrulha a cerca de 90 quilômetros de Kandahar quando, em 12 de dezembro de 2005, foram atacados por insurgentes afegãos. Eles ficaram feridos, mas a blindagem do veículo ajudou a salvar a vida deles. É impressionante ver o carro e as marcas que o ataque causou.
Por isso, não deixe de checar as descrições nas etiquetas das máquinas que mais chamarem sua atenção. Além de informação, isto poderá ter outro efeito: fazê-lo refletir. Inevitavelmente você chegará à conclusão de que tudo ali, goste ou não, foi feito com um único propósito: matar. Ainda que a finalidade da guerra possa eventualmente ser a paz, ela inquestionavelmente provoca a destruição e a morte. Não à toa, sacrifício e sobrevivência são palavras associadas a ela.
A pergunta que fica – exposta cruamente em um painel – é: “Who is to pay…?” Quem, afinal, paga a conta da insanidade de alguns?
Como diz a canção, “todos vivemos sob o mesmo sol...”


* As fotos são minhas e de Carlos Giannoni de Araújo

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