Panamá, um país em crescimento

País em desenvolvimento, o Panamá diversificou sua economia. O canal é fonte importante de recursos, mas o setor financeiro e o turismo também se destacam.
Corredores movimentados, consumidores carregando sacolas, gente indo e vindo com compras ou simplesmente passeando. O carrossel que diverte as crianças no Albroock Mall mostra como os grandes shoppings da Cidade do Panamá ajudam a girar a economia do país. Grande parte do público é local, mas há também turistas, principalmente da Colômbia e Venezuela. Aqui, brasileiros fazem a festa com os preços baixos. Até parece Miami, a nova meca do consumo "brazuca".
A empresária Tatiana Ferreira foi ao Panamá de olho nas compras. E diz que valeu a pena: “Muito. Muita a pena, estou amando”. E já gastou bastante? “Bastante. Lua de mel pode, aproveito!”


  


  

No Multiplaza, estão as marcas de luxo com preços atraentes. São pelo menos três grandes shoppings, com mais de mil lojas, além de uma área de comércio mais popular, Los Pueblos.





Os centros de compras com preços semelhantes aos de Miami são um chamariz para estrangeiros. O Panamá está no meio do caminho entre a América do Sul e os Estados Unidos. Serve de escala para muitos voos: 2,8 milhões de passageiros fizeram conexão no Aeroporto Internacional de Tucumén em 2013 até setembro.
Pessoas que ficam poucas horas no país e podem aproveitar para fazer compras. E elas contam com uma facilidade. O Panamá é o país mais internacionalizado da América Central, segundo o Índice de Globalização das Nações Unidas. E a gente percebe isto no dia-a-dia, na hora de fazer uma compra, por exemplo. Você paga em dólar, porque o país tem duas moedas, o dólar e a balboa, mas todas as vendas são feitas em dólar. E se der sorte pode receber uma balboa de troco.
No caminho para as compras, os turistas encontram uma cidade que cresce para o alto. Da Cinta Costera, é possível ver os modernos arranha-céus. E os barcos de luxo. O espaço, de 26 hectares aterrado no mar, foi aberto há quatro anos e deu à capital novas áreas verdes e de lazer. Mirantes com uma vista de cartão-postal, ciclovia, fontes e espelhos d´água, árvores e plantas tropicais. Uma iniciativa inspirada na paisagem do Rio de Janeiro, segundo os urbanistas que a projetaram.
A primeira fase da construção da Cinta Costera custou US$ 189 milhões e foi executada pela companhia brasileira Odebrecht. A empresa está presente em várias obras pelo país. Só as outras duas fases da via têm investimentos de US$ 829 milhões.






Tanta beleza ao lado de uma via lotada de veículos. É a avenida Balboa, a mais importante do centro. Como nas grandes cidades brasileiras, na hora do "rush", o trânsito na capital panamenha para. E dá-lhe buzina! Aqui elas fazem parte do cotidiano.


Obras, compras, cassinos. O dinheiro circula pelo Panamá. As atividades financeiras e o turismo são o coração da economia do país, tido como um paraíso fiscal. São mais de 30 instituições bancárias. O canal e o registro de navios mercantes também atraem divisas. É a força do setor de serviços, que representa 78,7% da economia.
Em 2012, o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, atingiu US$ 52 bilhões. Nos últimos dois anos, a economia panamenha cresceu acima dos 10% - 10,6% em 2011 e 10,7% em 2012. O PIB por pessoa é de US$ 9,5 mil, cerca de R$ 22 mil, o mesmo do Brasil. As exportações do país somaram quase US$ 19 bilhões em 2012. A inflação naquele ano fechou em 5,7% e o desemprego em 4,4%.
Olhando para trás, os panamenhos dizem que a vida está melhor. “Boa. Muito boa, economia forte”, fala Lenin Santana, o vendedor de chapéu. Mas a riqueza nem sempre chega à população mais carente. Muitos se preocupam com a situação do emprego depois que o "boom" da construção passar. E criticam a concentração de investimentos na capital, onde vive metade da população do país.
A vendedora Michelle Salazar, da banca de gravatas do shopping, tem 27 anos e trabalha há sete no local. Ela conta que não é possível viver com o salário mínimo nacional, de US$ 432, quase mil reais. “Porque a comida está muito cara. O básico, na comida o arroz, o azeite, a carne... Está muito caro.”
As estradas principais têm pedágio. A tarifa mais baixa custa pouco menos de US$ 1,50, cerca de R$ 3,50. Não há imposto sobre a propriedade de veículos ou imóveis. Nada de IPVA ou IPTU. O cidadão paga um imposto sobre valor agregado, 7% sobre qualquer produto comprado. É como um imposto único. Só a zona de livre comércio de Colón, a 70 quilômetros da capital, e as lojas "free shop" estão isentas.




Mas não são só as compras e o famoso canal que sustentam o turismo no Panamá. Banhado por dois oceanos separados por menos de cem quilômetros de rodovia, o país também tem praias. A água é limpa, mas a infraestrutura em muitas delas deixa a desejar. Em La Angosta e Isla Grande, no Mar do Caribe, no lado do Atlântico, grande parte dos banhistas era panamenha quando lá estivemos.



* Reportagem feita originalmente para o programa "Matéria de Capa", da TV Cultura (dom., 19h)

Um comentário:

Paulo Nepomuceno disse...

Show de imagens parabens!!!