Uma fábrica de cristal

Alguns dos cristais mais finos do mundo são feitos na Nova Escócia, no Canadá. Uma tradição de séculos, que pode ser vista na fábrica localizada no belo corredor à beira-mar em Halifax, a capital da província. Um trabalho 100% artesanal, que exige habilidade para soprar, moldar e cortar cada peça. Do forno a 1.400 graus Celsius sai uma bola incandescente, "com cor e textura de lava", resultado da fundição de uma mistura com areia e chumbo principalmente. A matéria-prima vem da Suécia. A mistura leva 12 horas para derreter.
Ainda quente, ela é assoprada por um funcionário. Os primeiros contornos da futura peça vão surgindo. Com diferentes tipos de apoio, o material aquecido vai sendo moldado. Já mais resfriado, vai para uma máquina que define a forma. Outros pedaços da mistura fervente são cortados e juntados para formar hastes e bases da peça – uma taça. Quando ela já tem basicamente seu formato definido, vai para outro forno, a 400 graus Celsius. É uma etapa intermediária porque mudanças bruscas na temperatura podem fazer o material quebrar.





 

 
 
O processo todo é rápido, dura menos de cinco minutos. Mas é preciso fazer peça por peça. E cada uma é única. Não existe nenhum conjunto de taças no mundo em que todas sejam totalmente iguais.
Depois que o copo passa por todo o processo de criação, ele sai com rebarbas. Aí passa por umas lixadeiras e depois por uma máquina para uma espécie de polimento. Na fase final da produção, os recortes nas peças são desenhados um a um, à mão. Fazer os cortes exige olhar atento e mãos hábeis. É um vai-vem numa espécie de lixa. "A precisão exigida de um cortador só é superada pela paciência necessária para cortar todos os modelos. Alguns exigem 52 cortes individuais, enquanto outros tem mais de cem!", informa o material expositivo da empresa.


Depois, as peças ainda passam por um polimento, quando ganham o conhecido brilho dos cristais.

 

Na produção, cada peça pode levar de três dias a três semanas para ficar pronta e passa nas mãos de até 30 pessoas - os mestres cristaleiros, como são chamados os trabalhadores. Cada um tem uma função específica na arte de transformar areia e chumbo em verdadeiras obras de arte. James Crowson trabalha há 15 anos na empresa e cita que a produção “é muito difícil”. “De tudo que eu já fiz, tocar violão, aprender uma segunda língua, fazer uma peça de cristal é seguramente a mais difícil”, compara. Ele se diz orgulhoso de ver os cristais servindo bebidas para convidados numa festa, por exemplo. “É uma obra de arte que você pode usar. Eu fico feliz quando as pessoas usam meus cristais”.
A atividade exige atenção máxima. "Erros não são perdoados", fala Crowson. "É um ambiente intenso para se trabalhar. Mesmo assim, após tantos anos eu ainda amo isto. Não acho que alguém realmente se torne um mestre na fabricação de vidro. Todo dia é uma experiência de aprendizado, que é parte da beleza do trabalho. E todo dia a beleza é criada. Muito legal!", comenta.
Por dia, a fábrica - fundada em 1996 por irlandeses de Waterford - consegue produzir até 400 taças. As peças são vendidas para o mundo todo. A Nova Scotian Crystal possui seis coleções exclusivas, inspiradas pela geografia, por lugares históricos ou histórias da região: Annapolis, Citadel, Luna, Margaree, Titanic e Windsor.
"Minha parte favorita de ser um fabricante de cristal é que nós estamos mantendo um ofício antigo vivo", destaca Brian Walsh, que atua como assoprador. "Eu adoro a forma como me sinto quando faço o vidro. Eu sinto que estou num mundo diferente, além da imaginação!", afirma, empolgado, o também assoprador Ioan Florean.









* As últimas sete fotos são de divulgação

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