Nas profundezas da Suécia

Grande parte dos caminhões que cruzam as estradas brasileiras têm uma marca sueca. O país é um expoente no mercado de veículos pesados e também de automóveis - que levam mundo afora as novas tecnologias desenvolvidas por lá. E muitas máquinas que ajudam a economia a crescer saem da Atlas Copco, na capital Estocolmo.
Ela fabrica equipamentos para construção e mineração e é uma parceira antiga do Brasil. Completou em janeiro 60 anos no país - o quinto maior mercado da empresa. Máquinas como o trator de 38 toneladas - fabricadas na Suécia e nas filiais da Atlas - podem ser vistas em obras no mundo todo. Como as da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e da ampliação do Rodoanel em São Paulo.

  


Mas uma máquina só chega em uma obra depois de passar por uma série de testes. Eles são feitos na sede da empresa, mas quase ninguém vê. Acontecem numa mina subterrânea, vinte metros abaixo no subsolo. Nós visitamos uma área de testes. Após uma longa caminhada pelos corredores úmidos da mina, encontramos uma das joias da empresa: uma máquina que consegue perfurar a rocha em 28 metros. É um modelo considerado simples. Outros, mais avançados, chegam a atingir 60 metros de perfuração. Depois que passar pelos testes, a máquina que vimos já tem destino certo: a Rússia.
Nas mãos dos funcionários, estes gigantes de alguns milhões de dólares são como brinquedos. A função do operador Magnus Skalberg é testar os sistemas de controle e perfuração. “O grande desafio é aprender como esta máquina funciona e tentar prever quais problemas ela pode apresentar”, diz o funcionário. “Acho que é um trabalho interessante, assim podemos enviar a máquina aos clientes em todo o mundo e saber que ela saiu daqui funcionando bem”.
Fundada em 1873, a Atlas Copco tem negócios com 182 países e faturou quase dez bilhões de euros em 2013.
   



  
Na Suécia, não é só a fabricação das máquinas para mineração que ajuda o Produto Interno Bruto a crescer. O resultado das escavações é como um tesouro para os cofres do país - que possui a maior mina de ferro do mundo. Mas para chegar lá é preciso deixar a capital e ir 1,2 mil quilômetros rumo ao norte, acima do Círculo Polar Ártico.
Um voo de duas horas leva até uma paisagem branca. Do alto, parece um outro planeta. É Kiruna, uma das bases da principal mineradora do país – a LKAB.



 



A cidadezinha de 23 mil moradores fica quase deserta durante o longo e rigoroso outono-inverno, época em que os dias ficam mais curtos e as noites mais longas. Durante nossa visita, por exemplo, o sol se despedia às duas da tarde. 
Mas seja qual for o clima, debaixo da terra em Kiruna homens e máquinas trabalham para tirar dali toneladas de minério de ferro. Chegar até lá não é fácil. A entrada da mina já parece um cenário de filme de ficção científica. Lá dentro, é preciso conhecer bem o caminho para não se perder.
Depois de andar cerca de oito quilômetros de carro dentro da mina, descemos mil metros e fomos conhecer o centro operacional. As operações são controladas a distância, por computador. É como um jogo de videogame. Os funcionários ficam atentos, acompanhando tudo com os olhos. As mãos só agem se for necessário. Oito máquinas podem ser operadas ao mesmo tempo. Por ano, elas perfuram um milhão de metros na rocha.
Tem até brasileiro trabalhando na empresa. Carlos Quinteiro é gerente de planejamento de mina e está em Kiruna há vinte anos.
A cidade praticamente nasceu e vive em função da mina. A exploração começou em 1900; 113 anos depois atingiu quase 28 milhões de toneladas de minério cru. A Europa é o destino de 67% da produção. Outros 32% vão para a Ásia e Oriente Médio. A empresa é a oitava maior exportadora da Suécia e a maior investidora industrial do país. “A mina de Kiruna é muito importante, contribui para o crescimento da região”, diz Mikael Forslund, líder de projeto da LKAB. Ele fala que a empresa não sabe quanto minério ainda existe no subsolo, mas garante que os planos incluem a abertura de novas áreas de perfuração. “Vemos um bom futuro”.











* Texto original - com algumas adaptações - feito para o programa "Matéria de Capa" (TV Cultura, dom., 19h30)

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