A Veneza verde do Norte

A tecnologia que empresas suecas levam mundo afora hoje em dia não é um acaso. O país tem vocação para invenções e descobertas. O passado viking deixou marcas, como o gosto pela navegação. Mas nem tudo deu certo. Feito como demonstração do poder sueco nos mares, o grande Vasa naufragou na sua viagem inaugural, em 10 de agosto de 1628, a menos de dois quilômetros da costa.
Construído para o rei Gustavo Adolfo 2°, o galeão de 69 metros de comprimento ficou adormecido no fundo do mar por 333 anos, até ser descoberto em meados dos anos 50.
Foi finalmente resgatado em 24 de abril de 1961. Estava praticamente intacto e hoje revive, grandioso, num museu que leva o seu nome. 





 
 

Ele é uma das principais atrações da capital Estocolmo, uma cidade com vocação para o mar. É formada por 14 ilhas, contornadas pelo encontro das águas escuras do mar Báltico com o lago Malaren. Não é à toa que a cidade é conhecida como “Veneza do Norte”.
Do alto da pequena colina dá para ter uma ideia da importância da água para a capital sueca. Dá para ver também o charmoso Gröna Lund. Inaugurado em 1883, é um dos mais antigos parques de diversão do mundo ainda em atividade. Centro econômico, político e cultural do país desde o século 12, Estocolmo é um dos lugares mais limpos, seguros e ecológicos do mundo. Praticamente um terço do seu território é formado por parques - a cidade foi a primeira capital verde da Europa.

 
   
 

 
 



A Suécia tem um dos maiores índices de desenvolvimento humano do mundo e é um dos países mais ricos da Europa, mas nem por isso escapou da crise econômica que atingiu o mundo em 2008. Conversando com os suecos, eles dizem que emprego e moradia são desafios. O taxista elogia a democracia sueca, mas fala que o país recebeu muitos refugiados nos últimos anos. “Oito, nove mil cada ano. Não é possível encontrar emprego e moradia para todo mundo, é um grande problema, como em toda a Europa”, diz.
A beleza da prefeitura, com seus tijolos vermelhos, encanta os milhões de visitantes que vêm até aqui. Um pequeno grupo tem um compromisso especial: é nesse prédio que acontece todos os anos a cerimônia de entrega do prêmio Nobel. 










   



Aqui, o clássico se mistura ao moderno. Modernidade e tecnologia até no táxi da motorista russa - com sistema de som e luz que parece boate. Mas o país mantém as tradições - simbolizadas pelo palácio real. E não é só na economia que brasileiros e suecos têm uma forte ligação. A rainha Silvia, da Suécia, morou no Brasil e fala português fluentemente. E num país que não aceita nenhum tipo de privilégio, a realeza é um caso à parte. “A maioria da população ama a família real porque é muito antiga, todo mundo aceita a monarquia”, comenta o taxista.



 
 

* Texto original de reportagem feita para o programa "Matéria de Capa" (TV Cultura, dom., 19h30)

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